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Escassez de profissionais na intralogística

Escassez de profissionais na intralogística: “A questão não é mais se haverá automação”

A escassez de profissionais qualificados e a busca por operações mais eficientes impulsionam a automação na intralogística. Dr. Tobias Harzer explica como a integração entre pessoas e máquinas pode transformar o futuro do setor.

A intralogística está passando por uma transformação profunda. As empresas precisam tornar seus processos mais eficientes, manter suas cadeias de suprimentos estáveis e, ao mesmo tempo, lidar com a crescente escassez de profissionais qualificados, especialmente nas áreas de armazenagem e produção. Em muitas operações, preencher vagas de forma duradoura tem se tornado cada vez mais difícil, principalmente para tarefas de transporte padronizadas. Por isso, a automação deixa de ser apenas uma questão de eficiência e passa a ser uma necessidade estratégica.

Dr. Tobias Harzer, Diretor de Automação e Equipamentos para Armazéns da Jungheinrich, explica por que os sistemas autônomos já desempenham um papel importante e por que uma automação bem-sucedida também precisa considerar as pessoas.

Sr. Harzer, por que a automação vem ganhando tanta importância atualmente?

Tobias Harzer: As exigências sobre as cadeias de suprimentos modernas estão aumentando continuamente: os processos precisam ser mais rápidos, flexíveis e, ao mesmo tempo, mais estáveis. Paralelamente, a escassez de profissionais qualificados está se tornando cada vez mais evidente em muitas regiões. Muitas empresas simplesmente já não encontram profissionais para determinadas atividades, especialmente em processos de transporte recorrentes, operações de armazenagem padronizadas ou trabalhos em turnos.

A automação ajuda a tornar esses processos mais estáveis e confiáveis, permitindo que os colaboradores sejam direcionados para atividades em que a flexibilidade, a experiência e a capacidade de tomar decisões diante de diferentes situações são especialmente importantes.

Até que ponto a tecnologia está avançada atualmente? Quais atividades já podem ser automatizadas hoje?

Tobias Harzer: A automação já deixou de ser uma visão de futuro. Hoje, ela já é uma realidade em muitos ambientes de armazenagem e produção. Ao mesmo tempo, observamos uma mudança clara: as empresas estão pensando cada vez menos em tecnologias isoladas e cada vez mais em processos de ponta a ponta. Não se trata simplesmente de colocar um robô dentro de um armazém. O objetivo é tornar os fluxos de materiais mais inteligentes e otimizar os processos de forma integrada. Por isso, analisamos junto aos nossos clientes cada operação e desenvolvemos soluções sob medida, combinando equipamentos, software e componentes de automação.

Um bom exemplo são os transportes internos de materiais. Muitos desses processos já podem ser automatizados de forma confiável. Os robôs móveis autônomos, por exemplo, transportam paletes entre o recebimento, o armazém e a produção ou abastecem as linhas de produção com materiais, de forma autônoma e 24 horas por dia.

“A automação já é uma realidade!”

O que torna os Robôs Móveis Autônomos modernos tão eficientes atualmente?

Tobias Harzer: Os Robôs Móveis Autônomos modernos são muito mais flexíveis do que muitas pessoas imaginam. Eles utilizam sensores, câmeras e, principalmente, softwares inteligentes para identificar o ambiente em tempo real e adaptar dinamicamente suas rotas. Dessa forma, conseguem circular livremente por ambientes de armazenagem e produção, identificar obstáculos e reagir de forma autônoma às mudanças no ambiente de trabalho.

Qual é hoje o maior desafio tecnológico?

Tobias Harzer: Durante muito tempo, eu diria que era a navegação. Hoje, isso mudou. O verdadeiro desafio está na coordenação inteligente de diversos veículos dentro de ambientes de armazenagem complexos. Em alguns clientes, 20 ou mais veículos autônomos circulam simultaneamente pelas áreas de armazenagem e produção. O grande desafio é organizar esses fluxos de forma segura, eficiente e sem interrupções.

Como isso é possível?

Tobias Harzer: Para isso, conectamos de forma inteligente os veículos, os sistemas de gerenciamento de armazéns e os softwares de gerenciamento do fluxo de materiais. As ordens de transporte são priorizadas, as rotas são ajustadas dinamicamente e os processos são controlados em tempo real.

Qual será o papel das pessoas no armazém no futuro?

Tobias Harzer: Um dos maiores equívocos é acreditar que a automação funciona simplesmente substituindo pessoas. Na prática, muitos projetos enfrentam dificuldades justamente quando o fator humano não é considerado de forma adequada. Por isso, armazéns totalmente sem pessoas continuarão sendo, na maioria dos casos, uma exceção. Na realidade, veremos ambientes híbridos, nos quais pessoas e sistemas autônomos trabalham lado a lado.

Mesmo assim, os colaboradores não têm receio de serem substituídos?

Tobias Harzer: É claro que, no início, surgem dúvidas e preocupações. Meu trabalho será substituído? As câmeras vão monitorar cada um dos meus passos? Posso realmente confiar nos veículos autônomos? O que acontece se houver uma falha no sistema? Essas questões precisam ser levadas a sério. Uma automação bem-sucedida não significa retirar as pessoas dos processos. Trata-se de reorganizar o trabalho, otimizar processos e tornar os sistemas mais estáveis, idealmente trazendo benefícios para todos os envolvidos.

Nossa experiência também mostra que, assim que os colaboradores percebem o quanto os sistemas são confiáveis e oferecem suporte ao trabalho, a aceitação cresce rapidamente.

Quais atividades continuarão sendo essencialmente humanas no futuro?

Tobias Harzer: A automação é especialmente eficiente em processos padronizados e repetitivos. Ao mesmo tempo, existem muitas atividades em que flexibilidade, experiência e capacidade de tomar decisões diante de diferentes situações continuam sendo fundamentais. É justamente nesses casos que as pessoas permanecem indispensáveis.

Na sua visão, o que caracteriza uma automação bem-sucedida?

Tobias Harzer: A verdadeira força está em conectar de forma inteligente esses dois mundos: direcionar as tarefas aos recursos mais adequados e envolver os colaboradores desde o início.

Como você imagina a intralogística do futuro?

Tobias Harzer: O futuro da intralogística não será um cenário de “pessoas contra robôs”. Será formado por pessoas e automação trabalhando de maneira mais inteligente e integrada do que hoje. Já demonstramos isso, por exemplo, em nosso trabalho com a parceira Wildeboer GmbH.

Automação como área estratégica de crescimento

Para nós, da Jungheinrich, a automação é uma das principais áreas de crescimento da estratégia 2030+. Como integrador de sistemas, apostamos em soluções de fluxo de materiais totalmente integradas e conectadas, com o objetivo de unir processos automatizados e não automatizados da maneira mais fluida possível.

Isso vai muito além da simples automação de processos de transporte. Para muitos clientes, já estamos implementando grandes projetos de automação, incluindo sistemas AS/RS.

Uma coisa é clara: a demanda por soluções inteligentes de automação continuará crescendo, não apenas devido às crescentes exigências por eficiência, mas também em razão das mudanças demográficas e da escassez cada vez maior de profissionais qualificados.

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